Entretanto, em muitas organizações, a cobrança ainda é conduzida de maneira fragmentada: o Financeiro identifica os valores em aberto, o Jurídico recebe alguns casos considerados mais graves e diferentes áreas adotam abordagens sem necessariamente compartilhar informações e critérios.
Esse modelo pode dificultar a visão geral da carteira e reduzir a eficiência das medidas de recuperação.
O primeiro passo é conhecer a carteira
Antes de decidir como cobrar, é importante entender o que existe para ser recuperado.
Quantos devedores estão inadimplentes? Qual é o valor total da carteira? Quais são os maiores débitos? Há quanto tempo estão em aberto? Existem garantias? Quais devedores possuem patrimônio conhecido?
Essas perguntas ajudam a construir um diagnóstico.
A partir dele, a carteira pode ser segmentada de acordo com critérios jurídicos, financeiros e estratégicos.
Cada perfil exige uma estratégia
Um pequeno grupo de devedores pode concentrar grande parte do valor da carteira.
Em outros casos, pode existir uma quantidade muito grande de débitos menores, nos quais uma abordagem padronizada pode ser mais eficiente.
Por isso, a estratégia precisa considerar não apenas o valor individual da dívida, mas também o custo da recuperação, o perfil do devedor e a probabilidade de pagamento.
A definição de réguas de atuação permite estabelecer quando realizar uma abordagem inicial, quando intensificar a negociação e quando avançar para medidas judiciais.
Negociação também precisa de estratégia
A negociação extrajudicial não deve ser confundida com simplesmente oferecer um desconto.
É possível estabelecer critérios para propostas, prazos, garantias e condições de pagamento, considerando o perfil de cada caso.
Quando um acordo é alcançado, sua formalização adequada também é fundamental.
Confissões de dívida, garantias e demais instrumentos jurídicos podem proporcionar maior segurança para a empresa e estabelecer mecanismos para o cumprimento da obrigação.
E quando a via judicial é necessária?
Em determinados casos, a judicialização pode ser o caminho adequado para buscar a recuperação do crédito.
Mas mesmo a decisão de ajuizar uma medida deve fazer parte de uma estratégia.
A análise patrimonial do devedor, a existência de garantias e as perspectivas de recuperação são elementos que podem influenciar essa decisão.
O objetivo é evitar que a empresa simplesmente acumule processos sem uma visão clara do potencial de recuperação.
Recuperar é também medir
Uma estratégia de recuperação precisa ser acompanhada.
Indicadores de valor recuperado, acordos realizados, evolução da carteira, tempo médio de recuperação e desempenho das diferentes estratégias podem fornecer informações importantes para ajustar a atuação.
É essa visão integrada que permite aproximar Jurídico e Financeiro e transformar a recuperação de crédito em uma atividade orientada a resultados.
A MV Law estrutura projetos de gestão jurídica de inadimplentes de acordo com o perfil e os objetivos de cada empresa, combinando análise, negociação, atuação judicial e monitoramento.
Uma carteira de inadimplentes pode ser um problema financeiro. Com a estratégia adequada, também pode se transformar em uma oportunidade de recuperação de caixa.